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14 de janeiro de 2009

Prazeres Orais II

Festa de fim de ano da empresa. O flerte já era natural. O empenho dele era embalado por tantos chops depois da meia noite. Ouvi alguém fazendo piada sobre como éramos amigos, mas não liguei.

Em algum momento da noite, decidi que ia dormir com ele. Ia dormir na casa dele, quis dizer. E em algum momento na volta de carona, ele me deu sinal verde ao dizer 'vou te pegar essa noite'. Já não era de hoje que eu me sentia meio distante dele. Por saber que ele não queria nada além do joguinho habitual. Mas hoje eu queria.

Na sua casa, uma semana antes do meu aniversário, o acanhamento fez a gente virar amigo de novo. A última vez que fisicamente senti que a linha de conexão existia já era no remoto churrasco de fim de ano [retrasado]. Depois de trocar de roupa, apagar a luz e gastar boa parte da 1ª hora juntos com o papo mais sacana do planeta, eu caí de boca. Porque era o que ele queria, era o que eu pretendia e era o que podíamos nos permitir. Fui dormir no chão do quarto dele com a sensação de que dessa vez, sim, não me perdia dentro do mundo dele à medida que ele não me comia.

No outro final de semana, dormi lá de novo.

What a lovely way to burn...

18 de agosto de 2008

Chupa essa manga!

Depois de uma estressante busca por um lugar tranquilo e com um tamanho razoável pra criar uns animais, acabamos por comprar um sítio. Ufa! Eu já não aguentava mais ver tanto jornal espalhado pela mesa com anuncios de sítios e fazendinhas fantásticos mas que na verdade não passavam de sitiozinhos e fazendinhas bem "inhas" mesmo. Vai numa cidade aqui, roda outra alí, rodamos cerca de 3 mil quilômetros ou mais e quando já pra desistir de encontrar alguma coisa que preste... Tcha nan!!! Amém! Encontramos algo.
Muito bem, estamos na fase de "arrumação" do sítio e estive lá esse final de semana que por coincidência, tava tendo uma festa na cidadezinha próxima e eu não poderia perder a oportunidade de conhecer um pouco o pessoal. Ir me adaptando e quem sabe fazendo novos amigos.
Todo mundo pronto, fomos eu e dois amigos tomar uma gelada na cidade e nos apresentar ao povo. Maravilha! Povo animado, muita gente dançando (minhas pernas coçavam pra dançar), uma dupla tocando uma viola e rasgando João Mineiro e Maciano... Vez ou outra, meus olhos eram atraídos por um rapazinho ou outro, mas nada que realmente chamasse a atenção. Depois da quinta ou sexta loira, levantamos e fomos pro meio do povo pra ver de qual é que era. Nessa hora a dupla já tinha parado e tava rolando um axé meio estranho. Pelo menos eu nunca tinha escutado aquilo.
Olhando prum lado e pra outro, vi um rapazinho que por alguns momentos eu achei meio bizarro. Usava uma calça pouco convencional mas interessante, um cabelo que mais me pareceu bagunçado que arrepiado mas era também interessante e parecia que era dançarino da tal banda que tocava. Sabia todas as músicas e tinha uma coreografia pra cada uma delas. Depois desses alguns momentos achei o carinha uma gracinha.
Fiquei ali reparando e me vi babando no sujeitinho. Era um trem!!! Ia dançando e cantando a música e volta e meia tava com a língua no canto da boca ou no lábio superior, como se estivesse em pleno ato. Eu desfarçava, puxava assunto com meus amigos, acendia um cigarro, mas sempre de olho nele, e pra minha surpresa, ele de olho em mim. E o olhar dele, misturado com aquele sorriso de canto de boca, como que se dissesse: "Vem dançar comigo!" me deixou ainda mais desconcertado. Alguns amigos dele apareciam e ele sempre passava o braço no pescoço deles e me dava uma olhada, quase que me intimando. Eu desviava o olhar e ia buscar refúgio na lua. Ou melhor, no ecplise que tinha acabado de acontecer. E assim se seguiu por uns 30 minutos.
De repente, uma roda no meio do povo se abre e policiais saem carregando uma pessoa pelo braço. Tomei um susto e me afastei dali com meus amigos. Um deles se pronunciou: "Já chega por hoje, vamos embora?" e o outro não fez nenhuma objeção. Dei alguns passos em direção ao carro e decidi comprar uma bala. Uma desculpa boba pra voltar mas boa o suficiente pra me fazer entrar no meio do povo de novo e quem sabe encontrar o talzinho que tinha se perdido no meio da confusão. Voltei chupando a bala. E o dedo também. Rodei rapidinho lá no povão pra ver mais uma vez a figura mas ele tinha virado pó. Entramos no carro e fomos embora.
Não sei o nome e muito menos o telefone, mas sei onde mora. Quem sabe num próximo final de semana desses eu volte pra casa chupando qualquer coisa que não seja uma bala ou um dedo?
A língua dele?
Quem sabe!?

Chupa que é de uva!

24 de junho de 2008

Armar um Boteco...

Uma boa rodada de cerveja em um boteco é um ambiente mais hospitaleiro para sair do armário. A cerveja, naquele dia, serviu de anestesia para a trepidação no coração e desacelerou a corrida de pensamentos que já andam de praxe na velocidade da luz. Boas risadas depois de alguns goles esfriaram o rosto e evitaram a vermelhidão do constrangimento. Sem toda essa armadura, sair do armário nunca soou tão fácil. Mentira! O coração pulou em batidas de hip hop avançado, a cabeça ficou a mil e a cara mais vermelha que o esmalte da sua mãe naquele dia de manhã.

Os olhos não se encontravam naquela hora. A amizade era gigante. Pensando bem, acho que gigante foi um adjetivo usado de maneira pretensiosa até então. A amizade era forte e o carinho e o respeito também, mas os olhos encontravam o chão com mais freqüência que o comum. “Eu estou namorando... (hum) há seis meses... (hum²) com um menino...”. Apesar disso tudo, minha abstração foi a saída mais rápida (e olhando para trás, não muito esperta) para que a situação ficasse mais confortável. Não era a expectativa de Lucas nem do Leonardo, mas minha última expectativa quando sentei para beber era aquela conversa também. No final das contas, até quem vive no armário se assusta com alguém saindo.

O que era importante ali é que a dimensão do momento ficou registrado. Já tirou fotografia mental? As córneas não passam de lentes combinadas com diafragmas orgânicos com resolução ora digital ora analógica para dias como esse. Dias em que você se descobre mais do que você já tinha certeza que conhecia. E depois de toda a antecipação e da fase ‘não sei o que um fala pro outro’, os três (parecia menos, eu sei) são as mesmas pessoas. E agora a palavra gigante ganha significado sincero e aplicação digna. E foi assim que nós três chegamos aqui. Quem dera se todo armário tivesse sua porta virada para a primeira mesa com uma Skol gelada.
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