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19 de dezembro de 2010

Pra sempre...

"Parece que consigo andar sob água. Sei que pra você, também, não existe outra pessoa. Por isso, tô tranquilo que se a chuva resolver cair, eu vou continuar seco.

Você vê as lágrimas no meu rosto e sabe que são todas pra você. Mesmo que elas me confudam, penso em você de coração aberto. E o bom disso, é que acredito mesmo que as coisas não vão mudar. Mesmo que as palavras permanecam não ditas, quando olho pra você, vejo que você se sente como eu.

Todo dia é um reforço que o caminho a seguir é esse porque meus pais vão entender. Pelo tanto que a gente se gosta. Isso ninguem tira."

Belo Horizonte, 19 de dezembro de 1999

Quero ficar assim pra sempre.

18 de novembro de 2010

Sobre as fibras

Por mais firme que seja um tecido, sua estrutura chega sempre ao ponto de saturação que só um fio, central e bem concentrado, segura toda sua postura.

Sinto que somos o elo mais forte na estrutura desse tecido que virou a nossa vida. A minha na sua e a sua na minha.

E como faz bem não ter que tomar conta só da minha vida quando você cuida tão bem da nossa. Não há hipocrisia no descuido com o próprio coração. A diferença disso para o descaso é a intenção.

E ele não me quer mal. E eu não me quero despedaçado por ai também.

Pelo menos, eu prefiro pensar assim.

O tempo que eu gasto com as incertezas só ganha força na verbalização delas. Enquanto eu só sinto, eu só sinto. E talvez a sabedoria venha disso. E o equilíbrio que o último amor me fez ansiar ao ponto da insuficiência emocional talvez seja a idéia de que sei por estou andando.

Se a estrada for nova, o coração tirou a sorte grande. Porque o caminho novo não é o coração partido. Disso, eu sei meu caminho de casa.

...and the love intention.

4 de novembro de 2010

a fascinação volúvel de um amor eterno

Os momentos que sintetizam o amor são poucos, curtos e altamente repetitivos. Um olhar bem disposto no meio de uma conversa trivial, um abraço inesperado e despojado, uma preocupação trivial com o bem-estar do seu aparelho de celular.

Juntos, esses momentos não completam a totalidade do que eu e ele poderíamos (e devemos) compartilhar. Separados, esses momentos vão me custar anos de auto comiseração e antipatia para me curar, quando ele for embora.

E ele sempre irá embora. De mim. Como eu também sempre vou embora. De mim também.

Esperar pelo fim não me dá o benefício da jornada. Querer que acabe não me garante os dias cheios dos olhos dele, do cuidado e da malícia no toque sutil. Mas esperar que vai ser pra sempre só me desespera para garantir minha parcela de amor eterno.

Todo mundo quer se ater ao olhar mais significativo. Todo mundo quer se encantar com o sentimentalismo das tangentes. Mas debaixo disso tudo, dá pra ver as engrenagens desse amor.

Preciso fugir?

a

19 de setembro de 2010

Sobre o oceano e as possessões

Sacrificios demais e esperas em vão. Supresas sem precedentes e expectativas crescentes. Será que o amor verdadeiro dura indefinidamente?

Eu gostei muito desse menino. Aquele que antes de quebrar meu coração na praia já havia o feito por vezes sem conta no passado. E, com distância,  fica muito mais nítido o quanto eu me dedicava a suprir o que ele precisava. E tudo que eu julgava suficiente pra mim fica, sob a mesma distañcia, cada vez mais turvo.

Bem como o oceano faz com a areia, ele me sugou até onde eu não sabia mais voltar mais pra casa. Mas com paciência, o mesmo oceano (querendo ou não) traz a areia de volta pra assentar no seu lugar de origem.

E como que eu percebi isso? Essa vida de sacrificios, esperas, surpresas e expectativas que era dele, agora é minha. Só minha pra começar.

 I used to
love him
now I don't...

12 de agosto de 2010

Naquele dia...

Não há como não proteger as suas experiências ruins, limitando-as em memórias de somente-dor. Sempre tem algo de bom que ou faz você se agarrar ao que já acabou ou te garante momentos de nostalgia culpada.

Um dia, ele me convidou pra ir no clube que seu pai era sócio. Em dias de amor sem verdades mal-ditas, um convite desse já me satisfaria a carência que eu sempre sentia. Mas era diferente, ele já (admitira que) ficava com meninas e "namorado" não era a primeira definição que ele tinha de mim.
Decidi ir pelo desejo sarcástico de provocar o confronto de realidade que o faria enxergar que, além de mim, não tem ninguem que o amaria de verdade. Continuo fazendo, ou maquinando fazer, isso com todos os outros. Coisa de sagitariano.

No clube, torci meu pé depois de 2 cervejas (eu era novo ainda). Me levaram pra enfermaria enquanto eu chorava muito. Quando ele conseguiu chegar lá dentro, vi os olhos marejados que ele escondia atrás do sorriso mais sem jeito do mundo.

E chegou perto do meu ouvido, pra mais ninguem ouvir, e disse: "Voce não pode machucar. Se você machucar, eu machuco também".

Naquele dia, nenhum confronto de realidade (pra ele ou pra mim) pintaria a verdade do jeito que ela me parecia.

... não solta da minha mão.

7 de agosto de 2010

O que eu sei do amor

A paixão é droga acelerada, que faz o sangue correr depressa e desperta os sentidos. É inconveniente, sem mensura, viciante. Abre o apetite, fecha o instinto. Faz você ter a certeza de conhecer tudo e te move pelos dias, como se preciso fosse. Impreciso.

O amor te deixa brega. Você se esquece de tudo que pode sozinho. O que você pode sozinho? O amor te faz companhia, te dá as melhores conversas, viagens, prazeres e momentos. É como se tudo que você precisava estivesse ali. O amor são cartas, versos, melodias e sabores. Dissabores.

A expectativa é solidão. Ela é grande, sempre proporcional à frustração. Tantos anos e ganhos se perdem no primeiro soprar do vento. Seria eu uma bolha de sabão?

Não. Eu sou contramão. Ainda acredito, como um menino, que o amor pode ser eterno, viciante, brega e completo. Que pode ter sempre gosto de novidade, aventura e incerteza, Leo. E que pode ser demorado, intransigente, na hora errada, mas nunca desacreditado, Luan.

 Ainda a soprar pelo amor.

3 de agosto de 2010

will you try to make me feel better?

E se você tivesse só essa chance de se apaixonar? Aquela sensação de satisfação que não acaba e que a fonte propulsora é ridiculamente limitada. Todas as tardes que apagam instantaneamente as tardes anteriores.

E se você pudesse escolher só uma vez o caminho a seguir? Todo esforço de fazer uma missão como fazer ele sorrir ser completada, independente das concessões?

E se fosse a última noite da sua vida de solteiro? E dependesse da sua disponibilidade para o perigo, o desconhecido e o imprevisível para que tudo desse certo.

Mesmo que esse tudo seja ser o namorado dele. Com as imperfeições, os detalhes e as llimitações. Por um tempo que você não sabe.

Você tentaria?

 or run away?

26 de julho de 2010

Pelo Sim e Pelo Não

Todo mundo me diz que eu preciso encontrar alguém. Todo mundo que sabe de mim. Mas será que eu quero?

As últimas experiências são termomêtro para as futuras? Se sim, estou na espera daquele cara dependente que olha pra mim com olhos de admiração e expectativa por tudo que eu sei. E ele vai, mesmo assim, conseguir me machucar com a facilidade daquele que tem o elemento surpresa.

Se não, ele que vai chegar e me surpreender em cada expectativa que eu finjo ter porque ninguém me surpreende. Nem os últimos bi-curious que eu conheci. Ele vai me garantir tranquilidade no stress mais intenso e vai me aliviar no dia em que eu tiver mais desconfortável.

Se sim, não sei se quero encontrar alguém. Porque eu já li a última palavra desse livro.

Se não, mal posso esperar pra me apaixonar. Porque ninguém quer viver no eixo pra sempre.

 somebody's somebody...

16 de abril de 2010

The Sparkle (Parte Um)

Detalhes me movem. Gosto de coisas novas, mas não me importo com tudo novo. Gosto de relembrar os detalhes que me fizeram. E dos detalhes que me refizeram novo.

Gosto da voz rouca de bom dia, do chá na cama, o toque das mãos escondido no elevador. Do beijo sem pressa, do vidro do carro embaçado e das horas de conversa sem olhar o celular. Gosto de saber planos inconfessáveis, manias solitárias e de uma bobagem qualquer, que me faça rir sem maneirar o tom. Gosto de sair feliz nos dias cinzas, de caprichar na roupa em plena terça, de perceber os olhos para mim na rua.

Se o start está nos pequenos detalhes, o que impulsiona essa imensa máquina complexa chamada coração quando tudo que você tem parece tão distante?

I was wondering   
Would you reach for me
If you saw that I was languishing...

2 de agosto de 2009

O 30 de julho

Já estava anoitecendo, naquele 30 de julho. Cores escuras tomavam o céu enquanto sentávamos tão perto. Olhos brilhantes, entre um canteiro florido e uma rua cheia de carros apressados. Eu sentia você suspirando numa doce intensidade.

E você colocou sua mão na minha. Eu estava tremendo por dentro, mas queria ficar sentado com você e deixar todo o mundo para trás. Nuvens impediam a lua crescente brilhar, mas eu abracei você entre as luzes dos faróis. O céu abriu em chuva, demos um beijo de boa noite e fomos pelos nossos caminhos separados.

Eu nunca tinha sentido o que senti. E nunca mais vou ser o mesmo, depois daquele 30 de julho.

You wont believe what love can do,
till it happens to you.

6 de julho de 2009

Sexpectations

Geralmente um domingo a noite não produz muita expectativa. Para mim, é como se fosse vista grossa do despertador do dia seguinte. Mesmo assim eu estava no carro, em direção a qualquer lugar aberto numa cidade fria e sonolenta.

O barulho vinha do lado de dentro ou fora? Pelos olhares preocupados, tive a resposta. E o susto. O carro estava em uma subida, numa rua escura e com o pneu tão vazio que a roda parecia empenada. O único borracheiro 24 horas estava longe o suficiente para estragar o resto do carro. Por perto, um posto de gasolina quase fechado.

Ele se aproximou, tirou a blusa de frio e foi em busca das ferramentas. Tinha habilidade e charme em cada movimento. Os parafusos iam saindo um a um, o vento batia forte, o cabelo dele atrapalhava, a força do braço ressaltava os músculos, a posição deixava aparecer a cueca e as mãos estavam sujas de graxa. Tum. Eu já não sabia me comportar de tanto tesão. Entre cada gesto, havia troca de olhares. A minha intenção em ajudar era só pra ficar mais perto. Quem sabe ele reparava o volume.

E reparou, minutos mais tarde na cama dele. As mãos caminhavam pelo corpo na velocidade da respiração ofegante. O tempo frio só aumentava o nosso suor. Naquela hora, eu o conhecia bem. E falava no ouvido, entre cada beijo, eu te amo.

Suor e CK One.

28 de maio de 2009

I See You

Ele entrou na sala e o nick era parecido com o meu. Ambos intitulados bi, mas com o decorrer da conversa, estava claro que queríamos distância de mulheres. A identificação foi imediata. Tínhamos mais em comum do que os relacionamentos anteriores. Só a gente que não sabia.

Você já passou a madrugada inteira conversando com alguém? A gente passou várias. O papo era informal e cuidadoso. Com o passar dos dias, carinhoso.

Num domingo frio, eu liguei. Já se passavam semanas, promessas, fotos, webcam e apego. Quando ele atendeu, automaticamente foi aprovado no último teste: homem de voz grave e suave. Respirei fundo e marquei um encontro.

De longe, eu o vi. Fui me aproximando com a perna tão bamba que dei uma tropeçadinha. Puro charme. Quando nos cumprimentamos, eu bati a mão no peito dele com segundas intenções.

Andamos por um tempo, conversando, até chover. Sugeri ir para o carro. Lá, pedi para abrir o porta-luvas e surpresa: o chocolate favorito dele estrategicamente colocado por mim. Nosso primeiro abraço me fez sentir seguro.

Com a chuva lá fora, ele deitou no meu colo e ficou de olhos fechados. Minhas mãos estavam nos seus cabelos. Muita coisa passou por mim nessa hora, mas a única que prevaleceu foi o beijo que eu dei como se quisesse dizer finalmente te encontrei.

E no meio de tanta gente...

8 de maio de 2009

Sem filtro

Eu me apaixonei por um cara que eu tive por 2 dias. Quando ele sumiu, eu não sabia quem culpar. Ele, covarde, ou eu, burro. A verdade é que ele foi a primeira pessoa que me mostrou o quanto sou inseguro.

Bastante tempo depois, me deixei envolver com outro cara completamente diferente de mim. Se psicologicamente nada ali funcionava, fisicamente então o negócio era um desastre total. Como você teve coragem? Meu namorado me perguntou outro dia. E aí tudo isso foi contado.

Quando eu estava do lado dele, não sentia muita coisa que fizesse uma relação valer a pena. Mas o tanto que ele me desejava, admirava e fazia questão de falar o tempo inteiro me curou de um amor que estava distante, não era covarde e pertencia a mim mesmo. Meu amor-próprio.

Às vezes, quando contamos uma história, utilizamos um filtro capaz de amenizá-la de possíveis traumas não-curados. Afinal, ouvir é absorver. Ao mesmo tempo, falar é descarregar. Agora eu sei que falar sem filtro é entender.

Água e sabão.

30 de março de 2009

17 Again

Eu ando procurando por respostas. Daquelas que justifiquem como eu me sinto e simplifiquem como eu ajo. Mas não sei se preciso realmente delas para seguir em frente. Do contrário, estaria preso em algum lugar da minha adolescência.

Em duas horas nesse final de semana, uma conversa de MSN me trouxe de volta ao meu eixo de realidade que eu jurava controlar com meus 15 anos. Ele riu, ele brincou, ele conversou, ele perguntou se eu acreditava em Deus. E graças a utilitária fragilidade que eu auto provoquei nos últimos meses, ele fez meu coração disparar.

Aí eu comecei a refletir sobre porque precisar tanto de respostas quando você mesmo faz as perguntas. Quando eu tinha 17 anos, eu tinha isso tudo que eu senti nesse sábado ao conversar novamente com ele. Eu tinha, talvez, também o mesmo que eu tive nos últimos meses.

Só com uma diferença. Ele era meu.

"travel the world and the seven seas...
...everybody is looking for something"

3 de março de 2009

Chá Matte e Biscoito Globo

Aprendi anos atrás que a gente só conhece uma pessoa de verdade quando viaja com ela. Conhecer alguém de verdade é dormir, acordar e passar dias debaixo do mesmo teto, compartilhando bom e mau humor, falta do que fazer, cabelo no sabonete, toalha molhada e pé de areia na cama e tudo aquilo que você pensou aí.

Chegou finalmente o dia de conhecer uma cidade e alguém de verdade. Ela, a maravilhosa. Ele, meu namorado de dois anos e meio.

Lado a lado no ônibus, no taxi e na chegada ao local onde ficaríamos hospedados. Mais tarde, também juntos no metrô, na praia, no restaurante e na cama.

Dias de sol na nossa praia eram de papo leve, com carinhos tímidos e risada larga. Noites de chuva eram passeios gostosos e altamente apaixonantes. Chegar ao nosso quarto era dar um beijo demorado e dizer que o dia foi inacreditável. A madrugada rendia as nossas melhores conversas (sic). Sabe aquelas perguntas que você sempre quis fazer pra uma pessoa? Então, eu não lembro nenhuma que ficou para trás.

Cinco, dez, quinze dias. Sem TV, internet e no final, sem dinheiro também. Mas com uma certeza. O Rio é isso tudo mesmo. E você, muito mais tudo que eu podia imaginar.

Best friend with benefits.

18 de janeiro de 2009

Better...

Qual o benefício de rever o passado? Qual o impacto de reviver o passado? Encontrei meu ex por curiosidade, por saber que as intenções eram escusas e por querer que elas fossem desse jeito. Minha curiosidade virou vontade de sumir quando percebi que poucas coisas mudam quando não se conhece bem as pessoas.

Encontrei o primeiro cara que eu amei mesmo e falamos tudo que era necessário. Eu me lembro de tudo que não havia sido dito pela primeira vez. Todos os porquês e não-porquês. Todas as grosserias no telefone. Todas as vezes que não conseguia beijar a boca dele quando estávamos no cinema. E todas as sensações que eu ainda cultivo [ainda?] pelo cheiro que ele tem e pelo carinho que eu conservo [pra sempre] pelo bem que me fez me descobrir com ele por perto.

Com ele, eu não senti a pressão de que devo encontrar alguém. E encontrar alguém é raramente algo fácil de se fazer quando você é gay. Com ele, não precisei imaginar o quanto minha barriga vai incomodar um primeiro encontro. Com ele, as explicações foram necessárias somente pelo benefício de entender o que vivemos. E com ele, eu tenho certeza que não vou ficar mais.

“Who couldn't be together and who could not be apart...”

28 de setembro de 2008

Bon D'Accord

[2003]
Não dou certo. Vou continuar procuranto mais das coisas que eu deveria fugir. E não é uma questão de reciprocidade porque não ganho nada em troca. Mesmo me escondendo bem protegido, as paredes comecam a desabar de uma vez só.

[2008]
Nessa epóca, cada passo que eu dava virava um novo engano.

[2003]
Desespero, arrependimento e carinho eu sentia por você. Odiei ter que admitir que tinha perdido o controle e isso me tomou tempo.

[2008]
Tempo para exergar em mim alguém elegível ao amor de outrem, para querer encontrar alguém tão especial quanto você mas, dessa vez, sem esquecer que eu devo ser especial também.

Sem esse recurso bobo de metáforas e viagens imaginárias do tempo, ainda continuo com medo quando alguém chega perto demais.

How bout how good it feels to finally forget you?

29 de agosto de 2008

Is All Full Of Love?

Será que o amor está mesmo disponível do jeito que todo mundo tenta me fazer acreditar? Não consigo evitar a sensação de que algumas pessoas tem mais facilidade que eu para isso.

Meu melhor amigo/irmão vive inebriado de um amor que eu tenho medo de provar. Por já ter provado antes. Ou talvez por medo de me provar que nunca provei algo assim.

Eu nunca amei alguém com tanta desenvoltura e liberdade como foi com XXXX. Fiz um tanto de coisa errada por escolha própria. Ou por não ter saída. E eu passei por tudo isso, esperando me sentir feliz o suficiente para tentar de novo.

"Tudo está cheio de amor. Você é que não percebe." A música é linda, o clipe é genial o que mais me irrita é o quanto a Björk parece estar certa e eu cego. Porque será?

26 de julho de 2008

be the one, be the one who...

Quando as pressões do cotidiano [porque não consigo pensar em outro nome] e as preferências do seu parceiro não permitem demonstrar sua personalidade, a saída é usar uma relação extra como forma de expressar seu 'verdadeiro eu'. E foi assim que Freud explicou porque ele pegava meninas enquanto ficava comigo.

E esse 'verdadeiro eu'?

Vivi um tempão tendo um namorado que não me namorava. Mas tínhamos 15 anos. Depois 16 e 18. Quem queria namorar nessa idade? E depois sumimos. Um do outro. E eu fiquei pensando 'do que eu lembro esse menino?'. Uma vontade? Um sonho? Cheguei a uma eficaz conclusão de que eu somente o lembrava de uma parte dele que ele não conseguia entender.

Quando a maturidade permitiu uma aproximação e a gente voltou, ele já tinha uma válvula de escape. Morava no andar embaixo dele e chamava XXXXX. E ela, ele namorou. Enquanto ela namorava ele. E tudo me fez mal porque eu sabia [seria hipócrita dizer que não] e insistia. Até que um dia, o cotidiano [seus pais, seus amigos e ela] entrou no meio da gente.

E eu sumi dele.
I've got no time for bitterness...

2 de julho de 2008

Home is where the heart is

O verão costumava ser época de viajar com a família. Traduzindo: muita, mas muita gente espremida em um apartamento na praia por vários dias. Ao contrário de tios, tias, primas, pais e agregados que optavam por farofar na praia logo de manhã, eu e meu primo seguíamos o verdadeiro horário de verão: de dia dormir, de tarde acordar, de noite sair.

O objetivo era sempre o mesmo: conhecer meninas. No meu caso, tentar escapar logo em seguida. Naquele ano (2005), isso aconteceria de janeiro até o carnaval (que caiu no início de fevereiro). Mas não aconteceu, meu primo voltou antes do previsto para nossa cidade. Ótimo, pensei. Sem ele por perto eu poderia aproveitar meus bons 20 anos e conhecer algum carinha, já que eu trocava olhares, entendia os sinais, tentava aproximar, mas não tinha coragem privacidade.

O carnaval chegou, a bebida aumentou, as oportunidades triplicaram e a coragem despencou. Eu nunca tinha ficado com nenhum carinha (e estava atrasado, comparando com padrões atuais), mas não tinha interesse em ficar por ficar, e naquele momento ninguém estava interessado no dia seguinte.

Todo fim de tarde eu caminhava na beira do mar. Belo dia, resolvi ir mais longe pra ficar um pouco sozinho. E lá mesmo, bem longe, vinha em minha direção um cara baixinho, bronzeado de praia e cabeçudo - igualzinho um personagem que na hora fugiu da minha memória (e só anos depois descobri). Quando assustei, ele estava a poucos metros de distância. Nesse momento, fiquei completamente hipnotizado por olhos azuis gigantes e expressivos, que me encararam durante alguns segundos. Fiquei tão sem graça que virei o rosto e perdi o ritmo do passo (juntamente com o cardíaco). A vontade de olhar para trás fervilhava e não resisti. No mesmo momento, ele fez o mesmo. Eu gelei, parecia que a praia inteira estava assistindo.

Continuei caminhando, até perdê-lo de vista. Mais uma oportunidade perdida. Eu fiquei me chamando de burro várias vezes. Coloquei o chinelo na areia, sentei e observei o pôr-do-sol, relembrando a cena. De repente, vi que alguém parou do meu lado e virei. Era ele, com os olhos ainda mais expressivos e um sorriso tímido arrebatador.


Posso sentar do seu lado?
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