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3 de março de 2009

Chá Matte e Biscoito Globo

Aprendi anos atrás que a gente só conhece uma pessoa de verdade quando viaja com ela. Conhecer alguém de verdade é dormir, acordar e passar dias debaixo do mesmo teto, compartilhando bom e mau humor, falta do que fazer, cabelo no sabonete, toalha molhada e pé de areia na cama e tudo aquilo que você pensou aí.

Chegou finalmente o dia de conhecer uma cidade e alguém de verdade. Ela, a maravilhosa. Ele, meu namorado de dois anos e meio.

Lado a lado no ônibus, no taxi e na chegada ao local onde ficaríamos hospedados. Mais tarde, também juntos no metrô, na praia, no restaurante e na cama.

Dias de sol na nossa praia eram de papo leve, com carinhos tímidos e risada larga. Noites de chuva eram passeios gostosos e altamente apaixonantes. Chegar ao nosso quarto era dar um beijo demorado e dizer que o dia foi inacreditável. A madrugada rendia as nossas melhores conversas (sic). Sabe aquelas perguntas que você sempre quis fazer pra uma pessoa? Então, eu não lembro nenhuma que ficou para trás.

Cinco, dez, quinze dias. Sem TV, internet e no final, sem dinheiro também. Mas com uma certeza. O Rio é isso tudo mesmo. E você, muito mais tudo que eu podia imaginar.

Best friend with benefits.

22 de janeiro de 2009

Ah, o verão!!!

Na Praia....

Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose. Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca. Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no tênis. Mas o principal ponto do verão é.... a praia!

Ah, como é bela a praia.. Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção. Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias. Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a prancha pra abrir a cabeça dos banhistas. O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão chegando. Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de férias. Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação, as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.. As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do chinelo. Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como perfurar o poço pra fincar o cabo do guarda-sol. É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar em pé. Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da maravilha que é entrar no mar! Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de cerveja no fundo. Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.

Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita cheia de areia, vem aquela vontade de fritar na chapa. A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha. Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!!

Mas, claro, tudo tem seu lado bom. E à noite o sol vai embora. Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo. O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa, desde creme de barbear até desinfetante de privada. As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia oferece. Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas. O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família.

Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo possa se encontrar no mesmo inferno tropical...

Qualquer semelhança com a vida real, é uma mera coincidência.

"Luís Fernando Veríssimo"

É mais ou menos por aí mesmo!!!

10 de dezembro de 2008

O mar e todas as coisas


Poderia ser remédio, choro ou bebida, mas eu escolhi o mar. Um final de ano, como agora, que tinha sido muito problemático.

Engraçado como o ano passa devagar em março. Talvez seja uma época boa para viver um grande amor, mas péssima para vê-lo se transformar em nada. Lá pro fim do ano, outra pessoa. Sem o mesmo nome, mas que também se transformou em nada (mais que a dor).

Era hora de descanso, de um novo começo. Fui em direção ao mar. Descalço, para sentir a falta de equilíbrio. Só foi necessário um mergulho, para deixar pra trás todas as coisas que só o mar tem a força de levar.

Não tinha nada, mas tinha eu.

2 de julho de 2008

Home is where the heart is

O verão costumava ser época de viajar com a família. Traduzindo: muita, mas muita gente espremida em um apartamento na praia por vários dias. Ao contrário de tios, tias, primas, pais e agregados que optavam por farofar na praia logo de manhã, eu e meu primo seguíamos o verdadeiro horário de verão: de dia dormir, de tarde acordar, de noite sair.

O objetivo era sempre o mesmo: conhecer meninas. No meu caso, tentar escapar logo em seguida. Naquele ano (2005), isso aconteceria de janeiro até o carnaval (que caiu no início de fevereiro). Mas não aconteceu, meu primo voltou antes do previsto para nossa cidade. Ótimo, pensei. Sem ele por perto eu poderia aproveitar meus bons 20 anos e conhecer algum carinha, já que eu trocava olhares, entendia os sinais, tentava aproximar, mas não tinha coragem privacidade.

O carnaval chegou, a bebida aumentou, as oportunidades triplicaram e a coragem despencou. Eu nunca tinha ficado com nenhum carinha (e estava atrasado, comparando com padrões atuais), mas não tinha interesse em ficar por ficar, e naquele momento ninguém estava interessado no dia seguinte.

Todo fim de tarde eu caminhava na beira do mar. Belo dia, resolvi ir mais longe pra ficar um pouco sozinho. E lá mesmo, bem longe, vinha em minha direção um cara baixinho, bronzeado de praia e cabeçudo - igualzinho um personagem que na hora fugiu da minha memória (e só anos depois descobri). Quando assustei, ele estava a poucos metros de distância. Nesse momento, fiquei completamente hipnotizado por olhos azuis gigantes e expressivos, que me encararam durante alguns segundos. Fiquei tão sem graça que virei o rosto e perdi o ritmo do passo (juntamente com o cardíaco). A vontade de olhar para trás fervilhava e não resisti. No mesmo momento, ele fez o mesmo. Eu gelei, parecia que a praia inteira estava assistindo.

Continuei caminhando, até perdê-lo de vista. Mais uma oportunidade perdida. Eu fiquei me chamando de burro várias vezes. Coloquei o chinelo na areia, sentei e observei o pôr-do-sol, relembrando a cena. De repente, vi que alguém parou do meu lado e virei. Era ele, com os olhos ainda mais expressivos e um sorriso tímido arrebatador.


Posso sentar do seu lado?
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