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16 de abril de 2010

The Sparkle (Parte Um)

Detalhes me movem. Gosto de coisas novas, mas não me importo com tudo novo. Gosto de relembrar os detalhes que me fizeram. E dos detalhes que me refizeram novo.

Gosto da voz rouca de bom dia, do chá na cama, o toque das mãos escondido no elevador. Do beijo sem pressa, do vidro do carro embaçado e das horas de conversa sem olhar o celular. Gosto de saber planos inconfessáveis, manias solitárias e de uma bobagem qualquer, que me faça rir sem maneirar o tom. Gosto de sair feliz nos dias cinzas, de caprichar na roupa em plena terça, de perceber os olhos para mim na rua.

Se o start está nos pequenos detalhes, o que impulsiona essa imensa máquina complexa chamada coração quando tudo que você tem parece tão distante?

I was wondering   
Would you reach for me
If you saw that I was languishing...

29 de abril de 2009

What Hurts The Most?

Por muitas e muitas vezes passamos por situações estressantes na vida fazendo com que alguns relacionamentos acabem se estremecendo e assim surgem alguns desentendimentos. Mas nessas situações, qual atitude devemos tomar?
Quando a gente briga a gente desabafa. Colocamos pra fora um monte de coisa ruim que fica atormentando os pensamentos. Quando a gente discute muitas palavras são ditas, outras tantas são ouvidas e as chances de mágoas são tremendas! As palavras não podem ser apagadas depois de proferidas. Entretanto, isso tudo depende da forma que a coisa acontece e da intensidade dos sentimentos e dessas palavras. Quando mal ditas podem ter efeitos catastróficos, quando bem ditas são mais eficazes do que um potente opióide contra a dor.
Mas e se você ignora? Ignorar pode ser o melhor remédio em determinadas situações. Contudo, uma confusão surge no instante em que pensamos que ignorar algo ou alguém é afirmar a falta de importancia desse algo ou desse alguém em nossas vidas. Isso significa o fim de qualquer discussão ou relacionamento.
Se por um lado as palavras ditas não podem ser apagadas, ignorar uma pessoa é o mesmo que apagá-la de sua vida.
- What Am I Supposed To Do? -

2 de setembro de 2008

Pensando entre parênteses

Uma vez, eu e ele passamos uma manhã-tarde-noite juntos. Foi inédito.

Deu para conhecer a amiga dele (ela me contou que era lésbica e ele não sabia), conhecer a casa dele (sem a presença da mãe eu me senti à vontade), ouvir música (ele gostava daquela música que eu pulo hoje), ver fotos de quando ele era criança (eu roubei uma sem ele ver), deu para conversar sobre relacionamentos (eu fui o primeiro cara que ele beijou), conversar sobre medos (eu tenho medo de ficar sozinho) e ficar com medo de conversar (eu chorei de verdade pela primeira vez na frente de alguém).

Não deu para acordar cedo no dia seguinte (nunca dá), não deu para conhecer a cidade (ele trabalhava perto de casa), não deu para sentir tesão (mesmo falando de fantasias) e não deu para criar nenhuma raiz (voltei pra minha casa no final daquela tarde e perdi a foto dele no ônibus).

A melhor coisa das reticências são seus três pontos finais.

30 de julho de 2008

Passando um tempo sozinho (do lado dele)

Tudo começou no Orkut. Ele era agradável, distante. Eu já estava meses distante do meu relacionamento não-sei-o-que anterior. Depois de algumas conversas, eu baixei a guarda. Não foi por rostinho bonito. O que ele dizia chegava mais rápido do que a outra pessoa poderia alcançar.

Fui cedo na rodoviária e comprei a passagem para a cidade dele. Foi a primeira vez que eu parei para pensar na situação. Encarei como impulsividade. Quando cheguei lá, não sabia se descia do ônibus de boné ou não. Ridículo, mas os 124 km foram para pensar na primeira impressão.

Quando eu o vi de costas, senti medo. Corri pra comprar a passagem de volta e, quando olhei pra trás, ele levantou e tirou um papel do bolso que dizia "Sou eu". Achei isso fofo. Cumprimentei com um aperto de mão, ele com um abraço.

Na hora do almoço, vi mil lugares para me esconder. Acabei sentando na praça de alimentação do shopping e pedimos um chope anestésico.

Eu contei pouco da minha vida. Quando ele começou a falar, eu passei o primeiro tempo sozinho - do lado dele. Tinha o papo bacana, o cabelo lindo com o corte errado, a voz bonita com o sorriso estranho. Os olhos eram tristes, mas a risada promissora. Eu não entendia a roupa dele e não tínhamos muito em comum. Mas aí ele colocou a mão em cima da minha. Me ganhou nessa hora.

No final desse dia, decidimos tentar. Mesmo morando longe. Mesmo sabendo no que isso ia dar.

A gente tinha um namoro de final de semana.
Nos outros dias, eu passava um tempo sozinho.

22 de julho de 2008

Resta um

Se 'estado civil' fosse uma questão aberta, com certeza seria dissertativa. Tudo isso porque a fauna hoje anda bem diversificada. Encontramos desde caras que sonham que o sapo vai virar príncipe encantado até o sapo que fica com príncipe, princesa e plebeu. Na espécie caras solteirus, dois tipos já foram estudados.

O primeiro é o cara que cai da cama, sai de casa pra estudar, emenda um estágio, toma uma com os amigos na quinta, sai com outros na sexta. Parece normal, e pra ele é assim mesmo. O solteiro sossegado aproveita suas oportunidades, conhece gente interessante perto de casa, na facu, no buteco e na balada. Conversa com mil no msn, inclusive com o ex, e dá muita risada. Nada de neuras, nada de compromisso - até ele começar a gostar de verdade.

O outro é o cara que dá um pulo da cama, toma banho e entra no Orkut antes de ir pra facu. Lá, ele lê os scraps do ex. Descobre que o cara tá vivendo tudo de novo... com outro. E muito mais bonito. Puto da vida, vai pra aula e não acredita que ninguém olhou pra ele no corredor. Chega no estágio e não tem nada pra fazer, então pensa no fim-de-semana aproximando e desespera por não ter nenhum programa. O solteiro provisório tem pânico de sobrar. Exagera no perfume só pra alguém comentar, conversa com todo mundo na rodinha para se mostrar desesperadamente importante. Fica com um ali e outro aqui, mas chega em casa e entra no Orkut de novo, afinal, o que o namorado do ex tem de tão especial assim?

Um dia os dois se conhecem. Em vez de relacionamento, a liberdade de um vira a condicional do outro. E o cortejo vira defesa de território. O resultado disso? Algo improdutivo e bem longe da extinção.

Do tipo exportação: você bem longe de mim.
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