27 de junho de 2010

Definindo Conceitos [The Sex Post]

O aroma forte do desodorante não eliminava o cheiro das axilas suadas dele. Vi todos os pelos do peito dele brilhando com o suor que brotava incessantemente de todos os seus poros. Chupei um mamilo enquanto ele gemia alto que eu não podia fazer isso de novo. Chupei o outro. Ai ele me beijou. Esse foi o gatilho para me abduzir de qualquer preocupação que eu continuava considerando, mesmo com ele dentro (e fora) de mim.

Já não é a primeira vez que eu o considerava. Me parece que foi a primeira vez que ele me considerou, de fato. Honestamente, não consigo justificar nem pra mim os joguinhos que, literalmente, empatam a foda sem compromisso. Dito isso, nossa conversa era direta sempre que possível e eu percebi que ele não fazia promessas, ele estava era desenhando cenários.

Eu só conseguia olhar pro rosto dele. E nele tinha uma expressão de concentração forte, mais no que ele sentia e menos no que ele fazia. Deve ser por isso, essa ardência toda hoje de manhã.

Durante todo o tempo, vi um infinito de problemas sendo radicalmente reduzidos a fagulhas de pensamentos sem nexo. Esqueci todos eles naquele quarto e nas horas a seguir. Será paixão a melhor definição pra isso?

Duvido muito. Sexo bem feito e bem aplicado define muito melhor. E por ser sem compromisso, acaba sempre com uma reprise já programada.

7 de junho de 2010

Aos Dezesseis...

Será por que eu não sei falar o que eu sinto?
Será por que eu não valorizo o pouco que ele me dá?
Será que não fui honesto o suficiente quando fiquei com ciúmes?
Será por que eu só jogo vôlei?

Será por que eu gosto de música boa?
Será por que eu sou preto?
Será por que eu sempre quero beijar na boca?

Será por que eu não me chamo Larissa?
Será por que eu fiz novos amigos?
Será por que o pai dele obrigou?

Será por que ele mentiu?
Será por que eu sempre soube o que eu queria?
Será por que eu fingi sempre saber?

Será por que eu quis falar eu te amo?
Será por que eu não falei?
Será por que eu sou menino?

26 de maio de 2010

Expectativas Superficiais

Há quem diga que a sabedoria só chega com uma perda. Já perdi amores, já perdi minha avó, já perdi a alegria. Já achei que tinha encontrado ela de novo. Em vários locais diferentes. Mas já perdi as esperanças de me convencer que ela, a alegria, seja mais definitiva do que parece.

Mas tudo isso não me faz mais sábio. E isso não faz desse texto um manifesto melancólico de um jovem gay sem expectativas. Não o leiam assim porque, como as pessoas, ele não se mostra como realmente é.

Ele se casou. Partiu pela última vez o meu coração ruim. Ruim porque não cansa de ser remendado. Cheio de costuras e ajustes de última hora. E eu não aprendi. Enquanto ele me diz que resolveu dar rumo a vida dele, eu insisto em me convencer que a minha está além disso. 

Mas pelo contrário, sempre soube por onde eu estava andando.

No fundo, a gente sempre sabe por onde vai.

I ran and I ran... I'm still running away...
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